Plano: Acabar a faculdade aos 22, casar aos 23, ter o 1º filho aos 25, o segundo (e último) aos 27 e a partir daí, tentar melhorar o nível de vida da família.
Realidade: Aos 25 anos- fim de uma relação de 7 anos e meio, mudança de País (regresso a Portugal).
Aos 26, conheci o meu actual companheiro, Aos 28 (a caminho dos 29) fui mãe pela 1ª vez, e agora, a menos de um mês de entrar nos 30, a vida não podia ser mais incerta.
No entanto, não trocava a minha vida por nada deste Mundo! Demorou, mas encontrei o meu caminho, as pessoas que me fazem feliz e ainda aprendi umas quantas lições pelo meio.
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quarta-feira, 7 de maio de 2014
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Mãe: desmistificação do nascimento- 2
Agora é a vez da xaxia contar
a história do nascimento da sua ‘migalha crescida’ =):
Bem, para começar, cá em casa nasce-se à quinta feira. Uma médica com necessidade de organizar a agenda, aliada a um pai com cagufa de ter que lidar com o "rebentaram-me as águas", fizeram com que todos os nascimentos fossem marcados, ainda que a minha filha mais crescida, lhes tenha trocado as voltas e tenha nascido no dia que estava marcado, mas durante a madrugada e umas antes horas da suposta indução.
Em frente...durante toda a primeira gravidez, habituei-me a ver a minha obstetra a olhar de lado para mim e a dizer: "bacia mediterrânica, duvido que alguma vez passe aí um bebé".
Não tinha bem a certeza do que aquilo queria dizer exactamente, mas sei que me preparei durante 40 semanas e 2 dias, para a necessidade de uma cesariana.
E como não ia ter um parto normal, não houve qualquer "preparação para o parto". Não houve leituras de livros, nem recolha de testemunhos, nem revistas da especialidade. Não houve nada de nada. A minha preparação para o parto consistiu em depilação, manicure e cabeleireiro (para não ficar com cara de minhoca enjoada nas primeiras fotografias da bebé).
No dia 18 de Janeiro, por volta da uma da manhã, comecei a sentir o que eu achava serem uma dores fortes. Como se repetiam com intervalos regulares (ainda que espaçados), fui para a maternidade. Uma enfermeira fez o "toque", um CTG, e disse-me para ir para casa, que aquilo estava muito atrasado. Para ir no dia 19 às nove, como estava combinado com a médica. Basicamente, esperavam-me mais de trinta horas com aquilo que eu já achava serem dores insuportáveis.
De manhã a coisa até tinha acalmado, mas ao longo do dia foi sempre piorando, e piorando, comecei a perder uma espécie de muco com sangue, e por várias vezes pensei que a miúda ia nascer em casa. Durante a tarde fui ao consultório da médica. Mais um toque, mais um CTG, e um "amanhã às nove, se ficar muito aflita vai para o hospital e liga-me". Daqui entendi que não estava suficientemente aflita, e que ainda ia ficar verdadeiramente aflita (e ia, se ia)
Saí de lá a sentir-me uma mariquinhas ansiosa, e a pensar, que nem que a vaca tossisse, nem que chovessem canivetes, não voltava a incomodar a médica nem a ir para o hospital com falsos trabalhos de parto.
Mas as dores foram sempre piorando, e cada vez saía mais muco ensaguentado (o "rolhão"). Dito-Cujo quis levar-me para o hospital umas cinco vezes, mas eu recusei sempre "nem morta, ir lá outra vez fazer figuras tristes. É amanhã às nove".
Mas por volta da uma da manhã, vinte e quatro horas depois da primeira ida à maternidade, eu era uma mulher muito grávida aos gritos e a subir paredes com as dores (sim, eram umas trinta vezes piores que as que me tinham feito agarrar na "mala" na véspera), ao ponto de o homem ter que me vestir e calçar.
Entrei na maternidade quase de gatas, quarenta minutos depois, mais um toque, mais um CTG, uma enfermeira a perguntar-me há quanto tempo me tinham rebentado as águas (com as dores nem tinha percebido que a bolsa tinha rebentado pelo caminho).
Poucos minutos depois chegava a minha médica, mais um toque, e um "não faça força que temos que esperar que chegue o pediatra". Comecei a gritar pela prometida epidural, por um tempo que me pareceram horas, mas que Dito-Cujo garante que foram poucos minutos.
Com a epidural chegou o alívio. E logo depois o pediatra.
E é quando me mandam fazer força. "Faça força quando eu disser". Força? Então não vou para o bloco, para a cesariana? Hello Drª Paula, bacia mediterrânica, lembra-se?
E depois foi tudo muito rápido, a força que eu fazia não era capaz nem de fazer nascer uma formiga, quanto mais um bebé, e portanto usaram forceps para ajudar. A partir do momento em que levei a epidural, nunca mais tive qualquer dor, mas também não senti o momento em que tinha que fazer força, e nem sequer tinha vontade de a fazer, por isso fiquei impávida e serena a ver a minha bebé a sair-me das entranhas.
Uma linda bebé entre o roxo e o azulado (talvez nas aulas que não frequentei avisem que os bebés nascem daquela cor), que puseram em cima da minha barriga e a quem eu agarrei por um pé, enquanto o pai tirava fotografias para começar a bombardear a família com imagens da miúda mais gira do mundo.
As enfermeiras acharam a "primeira roupa" que eu tinha levado demasiado (sabia lá eu que o primeiro dia ia ser uma primeira noite), e resolveram vestir-lhe um dos pijaminhas rosa.
E é disso que me lembro melhor. Aquela bebé mínima, vestida de cor de rosa, com os olhos mais arregalados do mundo, aninhada nos meus braços, a roubar-me o coração, a engolir-me num amor sem fim, que dura até hoje.
Tão bom, mas tão bom, que repeti mais duas vezes
Obrigada Xaxia por partilhares a tua experiência connosco!
por xaxia do blogue Pasme-se quem puder
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Mãe: desmistificação do nascimento- 1
O intuito é quebrar as ideias pré-concebidas e mostrar as coisas como elas realmente são, através da experiência de algumas mães e da sua percepção sobre o nascimento dos seus filhos, num tom mais informal.
Hoje começo com a minha experiência:
Hoje começo com a minha experiência:
Esta é a história de como o Rodrigo veio ao Mundo e
consequentemente, de como me tornei mãe.
A história começa dia 3 de Abril de 2013. Levantei-me de
manhã cedo, para ir a uma consulta de termo no hospital de Gaia. Estava de 39 semanas
e 3 dias de gestação. Depois dos exames de rotina chega parte em que a Médica vê o bebé no monitor. Depois de muito ‘uhm’ e alguns ‘não
se vê muito bem’, lá me diz que tenho que regressar ao hospital na manhã do dia
seguinte para fazer uma ecografia no andar de cima onde os aparelhos têm melhor
qualidade.
No dia seguinte apresento-me ao local da ecografia, acompanhada da
minha tia.
Chamam o meu nome e lá vou eu. Mais alguns ‘uhm’ por parte
desta médica e finalmente um ‘ o bebé já tem pouco líquido amniótico, volto
já’.
A minha tinha diz-me: ‘Já foste, ficas cá e vão
induzir-te o parto.’
Na minha cabeça não podia ser já, instalou-se o pânico.
Quando a médica volta e me diz exactamente o mesmo que a minha tia, o meu coração começou a bater a mil, e a minha cabeça a fumegar, só pensava ‘ não é possível, já?! Mas ainda falta quase uma semana, eu não estou pronta, isto vai correr mal de certeza, a minha tolerância à dor não é assim tão boa, não vou conseguir ter este bebé, que horror, vou morrer durante o parto…’ entre outras ideias estúpidas que se atropelavam no meu cérebro.
Quando a médica volta e me diz exactamente o mesmo que a minha tia, o meu coração começou a bater a mil, e a minha cabeça a fumegar, só pensava ‘ não é possível, já?! Mas ainda falta quase uma semana, eu não estou pronta, isto vai correr mal de certeza, a minha tolerância à dor não é assim tão boa, não vou conseguir ter este bebé, que horror, vou morrer durante o parto…’ entre outras ideias estúpidas que se atropelavam no meu cérebro.
Fui ‘internada’ por volta da uma de dia 04 de Abril. Às
15h00 induziram-me o parto e dizem-me que pode demorar até dois dias (o drama, o horror, eu queria era despachar isto), e por volta das 18h30 já tinha contracções que doíam
imenso e vinham de dois em dois minutos, andava para trás e para a frente,
sentava-me na bola de exercícios e tentava respirar, vieram ver e ‘uh já está
dilatada a 2’ e eu que só pensava ‘já?! Isto é gozar comigo, não levo epidural
até chegar aos 5 pelo menos’, fui tomar um banho quente, andei de novo a
caminhar para trás e para a frente (quando as dores deixavam). Entretanto houve
mudança de turno, e voltei a ter uma enfermeira diferente. Esta era novinha e
pergunta ‘Foi às aulas de preparação para o parto?!’ eu: ‘no’, ela: ‘Ihhh só
nos faltava esta’, pronto, fiquei ainda mais “panicada”.
O tempo passa, as dores intensificam. A enfermeira “mor” ouve-me a gemer e vem dizer-me que me vai dar uma injecção no rabo para atenuar a dor. Eram cerca das 21h00.
O tempo passa, as dores intensificam. A enfermeira “mor” ouve-me a gemer e vem dizer-me que me vai dar uma injecção no rabo para atenuar a dor. Eram cerca das 21h00.
Em vez de melhorar, piorou. E é aí que a médica entra em
cena pela 1ª vez.
(Muito simpática devo dizer.)
Diz-me que não é normal depois da injecção, doer ainda mais. E decide verificar a dilatação: 7 cm!!
‘Ui, que dilatação tão rápida, vamos lá à epidural que ainda conhecemos o Rodrigo hoje!'
(Muito simpática devo dizer.)
Diz-me que não é normal depois da injecção, doer ainda mais. E decide verificar a dilatação: 7 cm!!
‘Ui, que dilatação tão rápida, vamos lá à epidural que ainda conhecemos o Rodrigo hoje!'
E assim foi, deram-me a epidural, esperaram que fizesse efeito,
e oh! Surpresa, a epidural só fez efeito do lado direito. Sentia a dor do
lado esquerdo-esperar pela dilatação a 10 e chamar o papá. E pronto. Chegou a
hora (15 mulheres do staff só para o Rodrigo, mais nenhum bebé quis nascer
nessa noite)
E era fazer forçar, era respirar, era fazer força. ‘Respire, respire’ diziam elas, e eu só dizia ‘não consigo’ E o Mr. a segurar-me na mão e a sentir-se impotente. A dada altura já não tinha mais forças. Teva que ser com a ajuda de ventosa e de duas enfermeiras a carregarem na minha barriga ao mesmo tempo que eu fiz força para ele sair. E saiu. Eram 23h20. Não chorou logo ao sair. Demorou 2 segundos a berrar, que me pareceram uma eternidade e eu já imaginava o pior. E depois, levaram-no logo para o limparem e pesar. A médica diz-me que vai carregar para sair a placenta, e que para certas mulheres era pior que o próprio parto. E eu, que já nem sentia nada, só lhe disse algo do género ‘go for it’. E não é que a única coisa que senti foi um grande alívio?
E era fazer forçar, era respirar, era fazer força. ‘Respire, respire’ diziam elas, e eu só dizia ‘não consigo’ E o Mr. a segurar-me na mão e a sentir-se impotente. A dada altura já não tinha mais forças. Teva que ser com a ajuda de ventosa e de duas enfermeiras a carregarem na minha barriga ao mesmo tempo que eu fiz força para ele sair. E saiu. Eram 23h20. Não chorou logo ao sair. Demorou 2 segundos a berrar, que me pareceram uma eternidade e eu já imaginava o pior. E depois, levaram-no logo para o limparem e pesar. A médica diz-me que vai carregar para sair a placenta, e que para certas mulheres era pior que o próprio parto. E eu, que já nem sentia nada, só lhe disse algo do género ‘go for it’. E não é que a única coisa que senti foi um grande alívio?
Estava a médica ainda a cozer o 'business' quando chega a
enfermeira com o miúdo e o põe em cima de mim. Primeiros pensamentos ‘não é nada
parecido comigo’ ‘porque raio é que nasceu com cabelo castanho’ e ‘ onde é que
anda o sentimento de conexão instantânea de mãe-filho que me tinham prometido?!’
E depois, pedi ao pai que pegasse nele. E aí sim, vi algo de que já ouvira
falar: um pai emocionado cujo filho lhe tinha agarrado o dedo e não parecia
querer largar!
O processo do nascimento não durou mais que uns 10-15
minutos. Olhando para trás, sei que foi um ‘nascimento santo’.
segunda-feira, 31 de março de 2014
Os heróis da minha infância
Numa manhã de sábado, era hábito ela acordar muito cedo para um encontro pelo qual ansiara toda a semana.
Queria muito ver o amigo verde a tentar integrar-se num ambiente totalmente diferente do seu; a sua amiga rosa, que conseguia sempre escapar das mãos do vilão; o seu amigo que vivia sempre triste, porque nunca conseguia 'pregar uma partida' ao animal mais rápido do deserto; e ainda ver o seu amigo preferido, que andava sempre rodeado dos três acólitas mais leais da história, entre muitos, muitos outros, que tornavam o início de fim de semana numa verdadeira alegria.
O final de Domingo também era um momento muito alegre pois era hora do reencontro com um amigo especial. Nunca antes tinha ela conhecido alguém com uma capacidade de raciocínio tão rápida, e com um conhecimento tão abrangente do ambiente que o rodeia, que era capaz de se safar de situações complicadas. Ele era um mágico, um mágico diferente, mas aos olhos daquela menina, do alto do seu palmo e meio e dos seus 6 anos de vida, era magia.
Mas mais importante do que tudo isto, era ela. A mulher que foi mãe quando outras ainda brincavam ao 'faz de conta', sonhavam com o seu príncipe encantado ou faziam planos de uma futura carreira através de estudos superiores. Aquela que a levava para o hospital às duas da manhã porque ela até a dormir gemia com as dores de barriga, que nunca se esquecia de lhe dar um beijinho de boa noite, que arranjava sempre tempo para brincar com ela, que trabalhava, muitas vezes de sol a sol, para que não lhe faltasse nada. Nunca.
Obrigada Mãe por seres a heroína da minha infância, e uma das pessoas mais importantes da minha Vida!
Queria muito ver o amigo verde a tentar integrar-se num ambiente totalmente diferente do seu; a sua amiga rosa, que conseguia sempre escapar das mãos do vilão; o seu amigo que vivia sempre triste, porque nunca conseguia 'pregar uma partida' ao animal mais rápido do deserto; e ainda ver o seu amigo preferido, que andava sempre rodeado dos três acólitas mais leais da história, entre muitos, muitos outros, que tornavam o início de fim de semana numa verdadeira alegria.
O final de Domingo também era um momento muito alegre pois era hora do reencontro com um amigo especial. Nunca antes tinha ela conhecido alguém com uma capacidade de raciocínio tão rápida, e com um conhecimento tão abrangente do ambiente que o rodeia, que era capaz de se safar de situações complicadas. Ele era um mágico, um mágico diferente, mas aos olhos daquela menina, do alto do seu palmo e meio e dos seus 6 anos de vida, era magia.
Mas mais importante do que tudo isto, era ela. A mulher que foi mãe quando outras ainda brincavam ao 'faz de conta', sonhavam com o seu príncipe encantado ou faziam planos de uma futura carreira através de estudos superiores. Aquela que a levava para o hospital às duas da manhã porque ela até a dormir gemia com as dores de barriga, que nunca se esquecia de lhe dar um beijinho de boa noite, que arranjava sempre tempo para brincar com ela, que trabalhava, muitas vezes de sol a sol, para que não lhe faltasse nada. Nunca.
Obrigada Mãe por seres a heroína da minha infância, e uma das pessoas mais importantes da minha Vida!
quarta-feira, 21 de março de 2012
Era uma vez...

...uma menina. Tinha cabelos loiros, cachos em cascata sobre os ombros, olhos azuis, daqueles que são profundos, com aquela avidez de conhecimento no olhar, característica de qualquer criança que está prestes a festejar 7 primaveras. Ela pediu muito à mãe. E a mãe disse-lhe que sim. E então ela ficou feliz, muito feliz. Tão feliz, pelo simples facto da mãe lhe ter demonstrado a sua confiança, que acabou por se esquecer do motivo de tanta felicidade. Até que um dia, quando já faltavam poucos meses, a mãe lhe perguntou se já tinha feito a sua escolha. A menina lembrou-se. Entrou em pânico por dentro, mas com a maior calma do Mundo, respondeu à mãe que estava indecisa entre dois, e que no dia seguinte lhe daria a resposta. No dia seguinte, a menina foi brincar com a sua amiga Tânia. E entre risos, correrias, joelhos esmurrados e brincadeiras, fez-se luz. Quando voltou a casa, estava felicíssima. Já tinha escolhido. Apressou-se a ir ter com a mãe, e disse-lhe que a mana se chamaria Tânia. Ao que a mãe respondeu como sinal da sua aprovação com um sorriso. Então a mãe pergunta à menina qual o segundo nome que havia escolhido para a mana. O coração quase que parou. Quanto mais depressa tentava refletir, mais vazia ficava a cabeça da menina. Mas não deu o braço a torcer. Nunca dava. E após esboçar um sorriso, responde à mãe: 'O segundo nome vai ser Cristina, como o meu'. A ideia de ter criado uma espécie de 'Dinastia' através da tradição da transmissão de um nome de uma geração para a outra (sim com aquela idade, irmãs, eram de gerações diferentes na cabeça da menina) fez com que se sentisse ainda mais feliz. Ia ter uma mana, e ela é que lhe tinha escolhido o nome. Ainda que nessa altura não o soubesse, iria nascer uma relação forte, das mais fortes que existem, iria fazer tudo para a proteger. Para sempre.
A parte gira da história é que quatro anos mais tarde viria a nascer, a 3ª Cristina da 'Dinastia'.
Lado positivo: se algum dia tivéssemos lançado uma banda, o nome não seria problema: 'The Cristinas' :D
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